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Projetos

Palestra sobre a Espiritualidade da

AVICRES, segundo o nome da Entidade

Queridas amigas, queridos amigos!

Fui pedido, para lhes mandar meu comentário sobre a identidade da AVICRES em termos da filosofia e prática. Vejo este pedido como uma boa possibilidade de refletir sobre as raízes do nosso trabalho segundo o nosso nome, AVICRES: Associação Vida no Crescimento e na Solidariedade. Na língua latina tem um provérbio falando: Nomen est omen, nomen est personalpronomen, nomen est possesivpronomen, o que significa isso a respeito do nosso nome?  Então, com a sua licença vou me limitar a algumas palavras: o nosso nome AVICRES nos cobra mantermos a seguinte filosofia:

 

“Associação”: significa trabalhar em conjunto, em cooperação e colaboração. Todo mundo tem que pensar em, se preocupar com o objetivo e com o caminho do nosso trabalho; tanto os funcionários, quanto os líderes, pois os líderes também são membros associados, todos são sócios da Entidade. Assim todos nós somos cobrados a fazermos e mantermos uma boa colaboração tanto entre todos nós, quanto entre todos os Setores do nosso corpo “AVICRES”, embora que sejamos numerosos, diversos e diferentes, em todos os sentidos, como todos nós estamos sabendo e percebendo diariamente. Mas, além disso, a filosofia da nossa Associação inclui também uma boa relação para fora: cooperemos em boa relação com a vizinhança, com a comunidade, com outras instituições na região, que fazem um trabalho semelhante, assim vamos manter a dimensão pública e política do nosso trabalho. Por isso, temos que nos preocupar com uma intensiva comunicação, interna e externa.

Resumindo tudo isso, na prática cotidiana, este princípio cobra de todos nós valorizarmos ao máximo possível a informação, participação, transparência, presença e representação; pois quem não ouve nem fala, quem falta e não está presente, aquele que não sabe nada, não pode fazer um trabalho efetivo, nem pelos clientes, nem pela Entidade, nem politicamente para fora. Quem só pensa em si, não tem condições de trabalhar em associação.

 

“Vida”: isto é, o BEM COMUM e fundamental que temos que cuidar do nosso trabalho em todos os sentidos, em todas as relações.

Na base de tudo é a nossa preocupação preferencial cuidar da vida em plenitude. Como Jesus falou: “Eu vim para que todos tenham vida, todos tenham vida plenamente.” Isso começa com a preocupação com a vida, com a natureza em geral: tratar bem as plantas, as árvores, a grama, os brotos, a alimentação, os alimentos, a água, etc. Isto cobra de nós uma preocupação séria com uma alimentação saudável, digna para toda a clientela.  Mas também com o tratamento do lixo, tratamento da nossa terra, dos nossos animais, dentro da nossa Entidade, em todas as suas áreas.

Como AVICRES nunca podemos cair, por exemplo, numa agricultura industrial. Nesta base da natureza viva, da vida natural eu vejo o nosso trabalho em prol da vida humana. Não esqueçamos que não somos donos da vida. A vida é um presente místico e misterioso. Ninguém de nós sabe “fazer” a vida, ela é um privilégio de graça. Vem do passado para nós, começou antes de nós. Ela cobra de nós, como AVICRES, um trabalho que respeita, cuida e reforça a vida digna. A moderna palavra “sustentabilidade” inclui tudo isso.

A vida vem do broto, da semente, por isso a vida cobra de nós um trabalho preferencial com as mulheres e as crianças, com as crianças junto com os pais, e com todos os que necessitam e sofrem na vida. A vida vem do chão, não cai do firmamento ou das nuvens, por isso temos que pensar continuamente em nossas raízes, temos que pensar e trabalhar em passos pequenos, coisas pequenas, coisas simples. Coisas grandiosas, prédios grandes, coisas de luxo não tem lugar na AVICRES, grandeza de coisas, nem de pessoas, não pode ter valor entre nós e nem de salários exorbitantes. Fiquemos com os pés no chão, tudo isso no sentido daquele provérbio Africano: “Gente pequena fazendo coisas simples, em lugares sem importância, conseguem coisas extraordinárias!”.

A vida é vulnerável e fraca, é violentada e dominada por pessoas e por estruturas ruins, por isso a AVICRES começou seu trabalho e tem que continuar assim no meio dos “miseráveis”, no meio daqueles, cuja vida foi destruída: favelados, crianças e população de rua, culturas oprimidas, ou seja, todos os que estão em vulnerabilidade social. Nunca podemos perder este sentido do nosso trabalho, “preferencial pelos mais pobres.”, segundo o princípio chave da TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.  Se nós, nos perdemos nisso, eu seria o primeiro, que deixaria AVICRES de lado.

 

“No Crescimento”: a vida sempre anseia o futuro. A vida nunca pode parar, a vida viva vive do progresso, a vida se vive mesmo. Nunca pode se planejar, organizar, botar totalmente em ordem, a vida se vive mesmo. Não permite uma ordem ou uma organização, que a domine.

Então como AVICRES temos que ajudar este progresso de cada um de nós, de cada um dos nossos “clientes”, da nossa entidade, mas também da situação das estruturas sociais fora de nós. Acompanhar os nossos “clientes”, os nossos funcionários e as comunidades para uma vida mais plena, mais adulta, mais independente e mais digna, isso faz parte do nosso objetivo e isso cobra um bom clima no trabalho, para que a nossa vida não morra antes do seu ciclo natural previsto. Com todo o sentido o objetivo geral do nosso trabalho, não só de alguns Setores, é seguir TRANSFORMANDO A VIDA.

 

“E na solidariedade”: nenhuma associação e nem uma pessoa, pode viver e sobreviver sem solidariedade. Ninguém vive de si, por si ou para si mesmo. Não existe um trabalho em conjunto sem cooperação, sem colaboração, sem aquela atitude fundamental que nós chamamos solidariedade. Precisamos da solidariedade entre nós, da solidariedade com os mais fracos, tanto no meio dos nossos “clientes” quanto no meio dos funcionários, como no meio dos nossos diversos setores, porque cada um de nós passa naturalmente por tempos de sofrimentos, necessidades, fragilidades, um tem que ajudar o outro a levar as coisas pesadas. Pela solidariedade ninguém entre nós, também ninguém dos nossos setores, pode ficar sozinho no seu sofrimento, na sua situação precária. Se alguém sofrer, os outros tem que carregar o sofrimento junto com ele.

Esta atitude, este comportamento tem que se referir as pessoas da AVICRES, clientes e funcionários, as comunidades e também a população da região. Além disso, essa solidariedade tem o seguinte sentido bilateralmente e internacionalmente: ninguém pode tirar do outro a sua própria responsabilidade, do seu próprio lugar. Uma solidariedade verdadeira respeita a dignidade do outro, significa a capacidade do outro, tem que respeitar a força própria do outro para resolver as suas coisas. Não podemos manter o outro numa posição imatura, infantil ou de dependência. Então uma solidariedade verdadeira e humana inclui automaticamente o comportamento de uma subsidiaridade adulta. Este princípio fundamental de uma solidariedade junto com uma subsidiariedade, evita que nós caiemos numa atitude de assistencialismo, que reforça o comodismo - para a AVICRES um aspecto muito interessante na dimensão internacional.

Pois uma coisa é fundamental não só a respeito da solidariedade, mas também a respeito da nossa entidade em geral: ninguém pode retirar o outro da sua responsabilidade própria do seu lugar próprio. Esta atitude solidária de querer manter o outro numa posição uma dura e infantil. Por isso queria continuar ainda com uma coisa fundamental a respeito da solidariedade bilateral:

Aqui, para nós como AVICRES, se esconde um perigo especial: a AVICRES desde o início foi e tem que ficar uma iniciativa brasileira. Apesar de toda a nossa dependência, de ajuda de fora, temos que lutar cada vez mais por nossa autonomia. Também a respeito da nossa relação parceira, por exemplo, com a “Brasilieninitiative AVICRES” da Alemanha: a realidade da dependência não podemos negar, mas tem que ser uma dependência em autonomia.

Conclusão: vamos usar as nossas próprias pernas, como Associação Vida no Crescimento e na Solidariedade.

 

 

Um abraço forte, João.

FUNDADOR DA AVICRES:

Johannes Niggemeier - João

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